Atividade industrial da China contrai pelo segundo mês consecutivo
A atividade industrial da China voltou a contrair em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, segundo dados oficiais divulgados hoje, embora analistas considerem que a redução recente das tarifas norte-americanas poderá dar impulso ao setor nas próximas semanas.
O índice oficial de gestores de compras (PMI) da indústria transformadora caiu para 49 pontos em fevereiro, face a 49,3 em janeiro, atingindo o nível mais baixo em quatro meses, informou o Gabinete Nacional de Estatísticas da China.
O indicador, baseado num inquérito mensal a gestores industriais e calculado numa escala de 0 a 100, sinaliza contração da atividade quando fica abaixo dos 50 pontos.
Em dezembro, o PMI industrial tinha registado 50,1 pontos, interrompendo oito meses consecutivos de contração, mas o regresso a território negativo sugere nova fragilidade da indústria transformadora, pressionada pela fraca procura interna.
Num comunicado, o estatístico do Gabinete Nacional de Estatísticas, Huo Lihui, atribuiu o enfraquecimento dos dados sobretudo a fatores sazonais, incluindo o feriado do Ano Novo Lunar, que este ano se prolongou por nove dias em meados de fevereiro.
Em contraste, um inquérito separado do setor privado divulgado também hoje apresentou um cenário mais positivo. O índice PMI da empresa chinesa de análise de crédito RatingDog subiu para 52,1 pontos em fevereiro, face a 50,3 no mês anterior, mantendo-se em território de expansão e registando o crescimento mais forte desde dezembro de 2020.
Este indicador privado tende a refletir melhor a situação de pequenas e médias empresas privadas, muitas delas mais orientadas para a exportação.
Segundo Yao Yu, fundador da RatingDog, a procura externa recuperou em fevereiro e manteve-se forte, com um aumento significativo das novas encomendas de exportação.
Ainda assim, analistas consideram que os dados revelam uma recuperação desigual. "O conjunto misto de indicadores PMI da indústria sugere uma trajetória semelhante à observada em 2025", afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco ING.
"A procura externa resiliente continua a impulsionar o crescimento, enquanto a procura interna tem sido dececionantemente fraca", acrescentou.
A decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos no mês passado, que anulou parte das tarifas recíprocas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, reduzindo assim as taxas aplicadas globalmente -- incluindo sobre produtos chineses -- poderá também proporcionar um "pequeno impulso" às exportações e à atividade industrial nos próximos meses, segundo Zichun Huang, economista da consultora Capital Economics.
Analistas indicam ainda que o encontro previsto para abril entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, poderá abrir caminho a uma trégua comercial mais prolongada entre as duas maiores economias do mundo, o que seria positivo para os fabricantes chineses.
A fraqueza da procura interna deverá continuar a representar um desafio para a economia chinesa, num contexto em que a prolongada crise no setor imobiliário tem afetado o consumo e o investimento.
Esta semana, a China deverá anunciar a meta oficial de crescimento económico para este ano durante a reunião anual da Assembleia Nacional Popular, que começa na quinta-feira. Economistas antecipam que Pequim estabeleça um objetivo de crescimento de cerca de 4,5% ou superior.
O encontro, que se prolonga por cerca de uma semana, deverá também aprovar o plano estratégico quinquenal para 2026-2030, com enfoque esperado no reforço da inovação tecnológica, da autossuficiência industrial e do desenvolvimento de setores estratégicos.